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Discursos do Vereador Floriano Pesaro na
Câmara Municipal de São Paulo

02/02 - Coleta de Lixo

O SR. FLORIANO PESARO (PSDB) – Srs. Vereadores, Srs. Vereadoras, marcando maior presença na Casa as senhoras, um bom ano a todos. Desejo que possamos superar, a partir dos próximos meses, esse difícil início de ano para tantos e, principalmente, para os paulistanos.

Agradeço a oportunidade de falar na tribuna neste primeiro dia dos trabalhos legislativos da Câmara Municipal de São Paulo. Dou boas-vindas a esta Casa pelo início da legislatura e estimo, de fato, que este ano seja muito produtivo, com discussões produtivas nas questões relevantes, visando melhorar a qualidade de vida da população e em prol do interesse coletivo. Temos sempre essa obsessão pelo interesse coletivo e público.

Não poderia deixar de começar agradecendo o apoio que tive dos Vereadores no final do ano passado, quando da aprovação do meu Projeto de Lei que obriga as concessionárias de serviços públicos de coleta de lixo a divulgarem os horários das coletas. O projeto foi aprovado por esta Casa e sancionado em 4 de janeiro pelo Prefeito Gilberto Kassab. Transformou-se na Lei 15.092 e agora a sociedade paulistana debate a importância da melhoria na logística da coleta de lixo na cidade de São Paulo, inclusive, do lixo reciclável, o qual, muitas vezes, é coletado, mas que, depois, não é tratado. Muitas vezes, depois de recolhido em minha casa, na sua casa, na casa de todos, esse tipo de lixo acaba misturado aos resíduos comuns por falta da capacidade de separação e até mesmo da própria capacidade de reciclagem, ainda que tenhamos muitas pessoas querendo trabalhar nessa área e em cooperativas, muitas das quais, inclusive, recebem nosso total apoio.

Também queria deixar registrado meu agradecimento ao secretário Malufinho, Antônio Carlos Rizeque Malufe, cujo apoio foi fundamental para a sanção da Lei, e também do Líder do Governo nesta Casa, Vereador Police Neto, um leal companheiro de todos nós e que vem lutando bravamente pelos interesses da cidade de São Paulo. Agradeço ainda, sem dúvida alguma, ao Prefeito Gilberto Kassab, que teve a sensibilidade de entender a importância da medida, a qual poderá minimizar os efeitos das enchentes em nosso município.

A Lei 15.092 é muito simples. É daquelas medidas simples, mas que têm efeito importante, um resultado imenso. Nesse momento, surge a pergunta: “Por que ninguém havia pensado nisso antes?”, é que, na maoria das vezes, pensamos soluções complexas, mas são as simples que dão resultado muito melhor e, em geral, em prazo menor.

Como havia dito, a Lei 15.092 é simples: as concessionárias devem informar aos municípes os horários em que os caminhões de lixo passam para recolher o material. A informação deve ser clara e precisa para que o cidadão possa programar-se no sentido de colocar os sacos de lixo, do lado de fora de sua residência, um pouco antes da passagem dos garis.

Penso que, ao fornecer os horários aos cidadãos, garantimos à população seu direito à informação clara e fidedigna, além de tornar mais organizado o processo da coleta de lixo. E não preciso dizer que informar o cidadão significa torná-lo um importante fiscal da Prefeitura e dos serviços por ela concedidos.

Essa medida evita, por exemplo, que sacos de lixo sejam levados – como temos visto – pelas enxurradas para os bueiros, entupindo galerias e chegando aos nossos rios e represas. Evita ainda que os sacos de lixo fiquem expostos desnecessariamente por longos períodos nas ruas, à espera dos caminhões de coleta. Nas ruas, esses sacos podem ser eventualmente abertos por animais, emporcalhando o local onde são depositados. Lixo exposto, sabemos, pode ocasionar a proliferação de doenças, obstrução de bueiros, diminuição da vazão da água e, por fim, enchentes.

Destaco ainda outro benefício crucial da Lei: os próprios moradores passarão a ser vigilantes da limpeza, checando se o serviço das concessionárias é realizado a contento. Caso presencie qualquer irregularidade ou falha na prestação do serviço, o cidadão deve informar o evento o poder público na Supbrefeitura mais próxima ou mesmo pelo telefone 156. De minha parte, estou à disposição em meu gabinete nesta Câmara Municipal para auxiliar aqueles que têm denúncias a fazer em relação à coleta de lixo na cidade, especialmente por ser esta uma área de interesse de meu mandato e porque sabemos que, muitas vezes, as concessionárias da coleta de lixo fazem o que querem, e o poder público, infelizmente, não tem fiscalizado devidamente o cumprimento do contrato que a Secretaria de Serviços e Obras mantém com essas empresas. Porém, acima de tudo, acredito na educação do povo e acho que a transparência das ações ajudará muito na fiscalização desses serviços.

Moradores já estão se organizando para “ficar de olho” nos serviços de varrição, limpeza de bueiros e coleta de lixo. A imprensa noticiou um exemplo recente: nos Jardins, um grupo de idosos montou um mutirão para manter o bairro limpo. Cada rua tem seu fiscal e dezenas de “olheiros”. É a população assumindo seu dever com o meio ambiente e com a comunidade, pois esta é uma tarefa que não envolve apenas um morador, mas a rua e o bairro inteiro. Para isso, é importante saber quais são as regras do jogo, em que dias e horários o caminhão de coleta tem de passar. E se não passar, tem de ser denunciado, porque é o dinheiro público que está pagando esses contratos.
Cito outro exemplo. No centro da cidade, uma parceria entre a Associação Viva o Centro e a Uniesp levará mais conscientização para a comunidade sobre como descartar o lixo de maneira correta. Estudantes estagiarão no importante projeto Ações Locais Barão de Itapetininga, 24 de Maio e Paissandu. Os três núcleos têm como meta, neste ano, incentivar suas comunidades no cumprimento da legislação que disciplina o descarte de lixo. O trabalho deste ano dará continuidade ao que foi realizado no ano passado, quando essas ações locais, junto com o Senac 24 de Maio e a empresa de lixo Loga, mapearam a situação do descarte do lixo nas duas vias.

Essa questão do descarte de lixo é surpreendente. Acompanhei, na semana passada, o Subprefeito Bucheroni em diligência a alguns dos chamados “pontos cegos” de descarte de lixo e vi algo inacreditável. O caminhão da Prefeitura passou, recolheu o entulho depositado na região de Santa Cecília, perto da Estação Marechal Deodoro, e, 15 a 20 minutos depois que nós saíamos, voltei ao local e pude flagrar gente novamente depositando entulho no mesmo local. Prefeitura recolheu à noite e, na manhã seguinte, estava tudo lá novamente nesses “pontos cegos” de descarte de entulho. É uma irresponsabilidade. É um crime ambiental, que, aliás, é inafiançável. Mas é inacreditável que o cidadão pega o seu entulho – cidadão que digo é modo de dizer – mas um bandido que pega o entulho, que deve comprar, ou pelo contrário, paga para ele recolher e, em vez de fazer o descarte ambientalmente correto, ele joga no meio da rua. Nas esquinas da cidade chamados “pontos cegos”.

Minha proposta ao Sr. Prefeito Kassab é de colocar câmeras. Já está mapeado pelo Secretário Ronaldo Camargo de quantos são os “pontos cegos” na cidade de São Paulo. Coloca a Câmeras e prende essas pessoas. Não é possível um negócio desse. O entulho é um problema, mas é a própria população que joga o lixo nas ruas.

Em estudo que fizemos, identificamos que a população paulistana ainda joga - com todas as medidas que o Governador Serra tomou anti-tabagista - 4 milhões de bitucas de cigarro, todos os dias, nas ruas de São Paulo. Estimativa da Secretaria de Saúde. Ah! Uma bituqinha só! Mas somam os 4 milhões indo para os bueiros, para as galerias e para os rios. É um desastre.

Aqui não cabe responsabilizar a população pela gravidade do ocorrido até o presente momento em relação às chuvas, mas é evidente que a população pode e deve colaborar mais. A população, ao não jogar lixo na rua, ao não descartar em locais impróprios, estará ajudando a si própria. Esse é o caminho.

Muitas pessoas me questionaram sobre a impossibilidade de atender aos horários das empresas concessionárias, mas é aí que a comunidade tem de agir e se organizar, sugerindo novos horários, organizando sua rotina em seu bairro. Tenho certeza de que assim poderemos diminuir o tempo de permanência do lixo nas ruas e seus efeitos nefastos.

É necessário que a população e as empresas se conscientizem do seu dever e do importante papel na sociedade depositando lixo no lixo e respeitando as leis ambientais. O meio ambiente reage, como está reagindo agora fruto do aquecimento global. Está reagindo à inconsequência, a irresponsabilidade que muitos de nós tivemos ao longo dos anos, décadas e séculos, em relação a esse meio ambiente. Mas temos de dar um basta a tudo isso.

Portanto, fazemos um apelo: não descarte entulho em locais impróprios, não abandone objetos que não quer mais nas calçadas ou em terrenos baldios, coloque o lixo na rua pouco antes da passagem do caminhão de coleta e fiscalize se o caminhão está passando no horário contratado pela Prefeitura do Município de São Paulo.

Cada um de nós, individualmente, é responsável pelo lixo que produz e pelo destino que dará a ele. Na Alemanha, cada um tem de cuidar do seu próprio lixo. Não tem coleta. Ele pega o saco de lixo e leva para o local adequado de descarte. A responsabilidade pela produção do lixo é nossa. Aqueles que se preocupam com isso inicia todo um processo de consumo responsável, que diminui no final a quantidade de lixo produzida. Vamos produzir menos lixo. Vamos consumir mais responsavelmente. Vamos fazer o descarte corretamente e preparar essa reciclagem.

Encerrando, Sr. Presidente, tenho aqui alguns dados que revelam a urgência de se melhor organizar o sistema de coleta de lixo na cidade de São Paulo, com o envolvimento da população, como sempre diz o Sr. Prefeito Gilberto Kassab.

Trinta e cinco por cento da poluição do Rio Tietê e do Rio Pinheiros - a que se referiu o nobre vereador João Antônio, Líder da Oposição - vem do lixo que está sendo exposto nas ruas.

Em toda a capital são coletadas 300 toneladas de lixo todos os dias, com a varrição das calçadas. São 4 mil garis, varrendo as ruas da cidade diariamente. É uma pequena cidade, varrendo a grande metrópole.

Só as empresas de caçambas clandestinas despejaram, no ano passado, 3 mil toneladas por dia nas ruas da capital. Os clandestinos despejaram 400 toneladas a mais que as recolhidas pelas empresas regulares, mas alguém os contrata, pois não fazem beneficência. Se são clandestinos e estão trabalhando, é porque há pessoas que os contratam. Trata-se da “Máfia das Caçambas”.

De acordo com a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, cujo Secretário é o Sr. Ronaldo Camargo, há 1 mil e 400 pontos de descarte irregular na cidade de São Paulo. Calcula-se que existam 300 empresas de caçambas irregulares.

É claro que o Governo precisa melhorar e aumentar seus serviços, mas, sem o apoio dos moradores, sem o apoio dos paulistanos, não teremos os efeitos desejados.

Muito obrigado.

 

 
 
 
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Projetos de Lei do vereador Floriano Pesaro

Após serem protocolados na Secretaria Geral Parlamentar, os projetos foram encaminhados às Comissões Permanentes pertinentes ao assunto. Após análise nas comissões, os projetos ficam em condições de ser votados no plenário da Câmara Municipal.

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