Fabio Leite
As chances de topar com um vereador nos corredores da Câmara Municipal no recesso parlamentar costumam ser remotas. Mas no ano inicial da nova legislatura (2009-2012), a rotina da Casa na primeira semana foi mais agitada. Em ritmo de mudança, novos vereadores - 16 dos 55 eleitos, menor índice de renovação das últimas décadas - e alguns ‘veteranos’ se apressam para ajeitar seus gabinetes antes do início dos trabalhos, no início de fevereiro.
Mas não ouse dizer que eles estão em “compasso de espera” com as obras. Ainda embalados com a vitória nas urnas, muitos fazem questão de ressaltar que “já estão despachando”, mesmo em salas sem mesas, cadeiras ou computadores. “Já estou recebendo o pessoal aqui e aproveitando para fazer o planejamento estratégico do mandato”, afirmou Floriano Pesaro (PSDB), sociólogo que arriscou palpites de arquiteto para deixar em ordem o gabinete herdado do petista Paulo Fiorilo (PT).
Vizinho de Floriano no 3º andar, Ítalo Cardoso (PT) parece ter tarefa mais trabalhosa. Ele ficou com o gabinete de Soninha (PPS), o único que não foi reformado pela Câmara. “Estava bem danificado, com divisórias quebradas e tacos soltos no chão. Mas estou adequando do meu jeito”.
Ajuda profissional
Há, porém, quem prefira a ajuda de um especialista para mudar o layout do gabinete. É o caso da petista Juliana Cardoso, nova ocupante da sala 408, deixada por Agnaldo Timóteo (PR), que, por sua vez, subiu três andares e está agora onde antes despachava a ex-vereadora Bispa Lenice (PTB). “Fui atrás e descobri que tem arquiteto da Câmara que pensa essas mudanças para a gente. Mas não quero fazer nada muito grande, até porque terminei a campanha e estou cheia de dívidas”, disse. Como Juliana, muitos alegaram falta de dinheiro para grandes adaptações e que vão contar com a estrutura oferecida pela Casa.
Gasto pode chegar a R$ 15 mil
A Câmara coloca à disposição dois arquitetos e três engenheiros para auxiliar nas adaptações dos gabinetes. A equipe conta ainda com 20 funcionários, entre marceneiros, pintores e eletricistas, que estão se desdobrando para atender as demandas dos vereadores.
O parlamentar pode solicitar os serviços da Câmara para reparos em pisos e forros e pintura, por exemplo, mas as grandes reformas têm de ser pagas com recursos próprios. Um vereador “experiente” em mudanças de gabinete, que pediu anonimato, explica que, quando a obra é grande, pode passar de R$ 15 mil.
Apesar de já ter gabinete - foi reeleito para o quarto mandato -, Antônio Goulart (PMDB) preferiu mudar da sala onde estava, no quinto andar, para o da ex-vereadora petista Claudete Alves. “Tenho atendimento ao público grande, cerca de 100 pessoas por dia, e o espaço era muito pequeno”.
Goulart é o vereador que está fazendo as maiores modificações. Ele não revela quanto pretende gastar, mas contratou três pessoas para colocar gesso e até uma divisória acústica em sua sala, para ter mais privacidade. “No banheiro, estou quebrando tudo e vou colocar azulejo das cores do meu time”, conta o parlamentar, corintiano fanático. Além deste, outro gabinete também passa por reforma: o de João Antonio (PT), que teve a licitação feita em 2008 e será feito com verba da Câmara.
Veteranos tiveram preferência
As regras para mudanças de gabinetes foram definidas no final da legislatura passada. Os 39 vereadores reeleitos tiveram a vantagem de poder trocar com colegas que não conseguiram se reeleger, como fez Goulart com Claudete. Os restantes foram destinados aos novatos, por meio de sorteio feito em 19 de dezembro.
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