“O fim de um ciclo e o papel do Brasil no novo mundo – Por Floriano Pesaro”
Vivemos um momento de inflexão histórica, marcado pelo esgotamento de uma ordem internacional que estruturou o mundo por aproximadamente cinco séculos. Desde o final do século 15, a expansão marítima europeia deu origem a um sistema global baseado na dominação territorial, na exploração econômica e na concentração de poder político. Esse modelo moldou o comércio, as relações internacionais e a própria produção do conhecimento, criando hierarquias profundas entre nações e povos.
A hegemonia ocidental consolidou-se por meio da colonização, da escravização e da extração intensiva de recursos, gerando crescimento assimétrico e desigualdades persistentes. Com o passar do tempo, tornou-se evidente que esse arranjo não apenas era injusto, mas também insustentável. A partir da segunda metade do século 20, a descolonização e a reorganização do sistema internacional abriram espaço para novas trajetórias de desenvolvimento.
O avanço econômico e político de países asiáticos, a reafirmação de soberanias nacionais e o fortalecimento de regiões antes marginalizadas indicam que não estamos diante de uma simples troca de hegemonias. O que se desenha é uma transição para um mundo genuinamente multipolar, no qual múltiplos centros de decisão coexistem.
Nesse contexto, torna-se cada vez mais clara a superação da lógica de soma zero.
Como alerta Jeffrey Sachs, a ideia de que a prosperidade de um país depende do empobrecimento de outro é um pensamento ultrapassado e perigoso. O bem-estar global passa, cada vez mais, pela cooperação, pelo compartilhamento de conhecimento e pela construção de soluções coletivas.
É nesse cenário que o Brasil reassume um papel estratégico. Sob a liderança do presidente Lula, o país recuperou protagonismo internacional, reposicionando-se como defensor do diálogo, do multilateralismo e da paz.
A diplomacia presidencial, baseada na escuta ativa, na confiança política e na construção de pontes, recolocou o Brasil no centro das grandes discussões globais.
Ao lado dele, o vice-presidente Geraldo Alckmin exerce um papel decisivo, combinando capacidade técnica, credibilidade institucional e notável poder de articulação.
Dois exímios negociadores que, atuando de forma complementar, tornaram-se uma força política altamente eficaz.
Essa sintonia fortalece a posição brasileira em agendas centrais, do comércio internacional à transição energética, da integração regional à reforma da governança global.
O Brasil demonstra que médias potências podem influenciar o rumo do sistema internacional quando apostam no diálogo e na cooperação. O fim de um ciclo histórico abre espaço para novas possibilidades.
Cabe ao Brasil, com responsabilidade e visão estratégica, ajudar a transformar essa transição em oportunidade.






